Canto o Grego astuto, não por braço e ferro,
Mas pelo agudo, d’alma, invicto engenho;
Ante a turba, que em dúvida se abisma,
A máscara veste, falto d'alma o ente,
Mas, solta a voz, as mentes maravilha,
Mágico d’expressão, dos peitos dono.
Triunfador do pélago e do fado,
Pela destreza em vez da força imensa.
De Ílion os muros, que o Gradivo guarda,
Cederam do cavalo ao cego dolo,
Ardil que em paz o estrago mudo oculta,
Vencendo a lide onde o valor falhara.
Mestre dos recursos contra o abismo,
No antro do Ciclope a mente activa
Finge o escape sob a lanhuda prole,
Rindo da sanha que o gigante cega.
A casa volve, e em mísero mendigo
Se oculta, e os rivais observa e estuda;
Qual polvo que às penhas se acomoda,
Dos disfarces sem conta o herói se vale.
É laço vivo que o mundo encadeia,
Pela Razão regendo o Acaso vago.
Preclara e augusta Métis, Nume santo,
Nesta era de Ciclopes e tiranos,
Aos Penates pátrios, Deusa, me guia,
Este triste devoto assim lhe suplica
quinta-feira, 11 de junho de 2026
Ode a Ulisses e Métis
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