Cantarei Hércules, de Jove a ínclita prole,
Herói que entre os mortais poderoso se sublima;
Em Tebas, das mil danças, de Alcmena veio à luz,
Quando o Satúrnio das nuvens a envolvera.
Vagou outrora por terrenos vastos,
Por mares, sob o império do rei Euristeu;
Muitos males sofreu, graves trabalhos,
Mas hoje no Olimpo nival reside,
Tendo Hebe, de fulgente olhar, por esposa.
Salve, ó de Jove progênie ditosa,
Dá-me faustos Fados!
Nota ao hino
Na teologia platônica, tal como ela é interpretada por Plotino, Proclus e outros, os heróis são almas humanas assinaladas, que ao baixo mundo descem para ajudar a humanidade, para lhe apontar, através do seu exemplo, mesmo que trágico, o caminho do retorno à ordem divina.A vida de Hércules é marcada pelos tormentos do mundo sublunar. Como diria Proclus, pelo "impacto esmagador da matéria e do destino" (Heimarmene).
Por mandato de Juno, a monada da vida e da alma, que utiliza o rigor da provação como uma "medicina espiritual", Hércules sua alma purificou e contra a Necessidade, a ordem demiúrgica de Júpiter por ele imperou.
Por fim, livre da corrupção e do tempo, a alma de Hércules recupera a sua "natureza alada" e participa da vida divina.
O Hierofante reconhecendo que a Fortuna também participa da ordem intelectual, roga-lhe fados propícios para que, mesmo os eventos difíceis se convertam em benefícios para o retorno ao divino.
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