quarta-feira, 30 de maio de 2007

E Perséfone criou o homem

Um dia Perséfone cruzava um rio. Viu um punhado de barro argiloso. Pensativa, pegou-o nas mãos e dele esculpiu o homem. Enquanto meditava no que criara, Júpiter apareceu. Ela pediu-lhe que desse à sua criação o dom da vida. E o pai dos deuses assim o fez, tornando-se tambem o pai dos homens. Porém, quando ela quis dar à sua obra o seu próprio nome, Jove proibiu-a. Já que ele dera-lhe a vida a ele, dar-lhe-ia também seu nome! Pai e filha puseram-se, desta forma, a discutir.

Gaia ( a Terra ) surgiu, então, e reinvindicou a si o nome daquele ser recém-criado. Afinal, ele fora tirado do seu próprio corpo.

Vendo-se os três deuses num grande impasse, resolveram chamar Saturno para resolver a questão.

E assim o grande Titã deliberou:

"Jove, uma vez que deste ao novo ser a vida, caberá a ti controlar-lhe o destino e os fados.

"Perséfone, já que o criastes, após ter-se esgotado o seu prazo de vida, receberás de volta a alma deste novo ser.

"Gaia, tu terás a guarda deste ser enquanto ele viver.

"No entanto, como não quero desagradar a nenhum deus, resolvo que seu nome será homem ( homo ), posto que veio do humus.

Hyginus - Fabulae, 220

Nota: Gosto do nome Prosepina, mas traduzo-o como Perséfone, sabe melhor aos meus ouvidos, tem mais envolvência, e, ao fim e ao cabo, a deusa é a mesma.

terça-feira, 29 de maio de 2007

Hino Homérico a Vulcano

Musa melodiosa, pontifique o desperto nume Vulcano
sócio de Minerva nos trabalhos de instruir os mortais
em tantas obras e engenhos, em tantas invenções.
Outrora em cavernas rudes vivia a gente humana,
dividindo a suja morda ao lado de bestas selvagens.
Já agora, educados em artes pelo industrioso Vulcano,
os mortais vêem o correr dos anos em abrigo e felicidade,
na quietude dos seus lares, na tranquilidade dos seus.
Seja-nos propício, Vulcano, e dê-nos êxito e ventura.

Hino a Zeus Soter, o Salvador

Zeus, és o primeiro e o último,
És do raio ofuscante a potestade.
És tu o princípio, o meio e o fim,
do universo o soberano rei.
Zeus, és do homem e da mulher
O criador e a santa essência.
És de nós, mortais, o protetor,
Sob tua forte guarda soberana.
Zeus, trindade misteriosa,
Nos Céus, no Orbe, no Érebo
Imperas tu, sumo Padre.
Zeus, deus dos deuses,
Rei dos reis, onipotente,
És aquele que tudo vês.
Santo Pai celestial,
Em ti a criação e a vida;
Da tua augusta mente,
a luz e a sabedoria;
Do teu coração, a piedade
E nela a nossa salvação.

domingo, 27 de maio de 2007

Hino a Juno

Juno de Argos, do áureo sólio,
sob tua mão tutelar dispomos
a nossa sina, a nossa cidade.
Deusa de níveos braços,
Multipotente, excídio de Ion,
domadora de cavalos, prodígio
dos que primeiro ao pélago se
lançaram, na tua ajuda confiados.
Dos aventureiros a redenção,
dos seus suplicantes o amparo,
Juno poderosa, seja em nos a tua glória.

sábado, 26 de maio de 2007

Hino Homérico a Afrodite ( Adptação Livre )

Dea Clara,
Afrodite de ouro,
mãe dos amores,
doces são teus mistérios.
Filha de Zeus e Dione,
tua graça reverente peço,
que o ofício do teu ministério
em meu imo tenha altar.
Citéria gloriosa,
vela por este teu suplicante
e sempre a mim sejam tuas graças.

Hino Homérico a Hera

Canto a deusa de níveos braços, criada por Rhea, Hera preclara.
Ela é a Rainha dos Imortais, e ultrapassa a todas as outras deusas em beleza.
Mulher e irmã de Zeus, o tonante, Hera é reverenciada por todos os bem aventurados deuses imortais que habitam o Olimpo com o mesmo respeito que dedicam a Zeus, que se apraz com o trovão.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Hino Homérico a Palas Atena

Cantarei a virgem de olhos brilhantes, a unigênita filha de Zeus, a terrível Palas Atena, guardiã das nossas cidades. Como Marte, é insaciável de combates, e arruinando e saqueando muralhas estrangeiras, deleita-se no tumulto das armas e nos perigos das batalhas. Ó deusa, distribuidora do saque, rogamos nos nossos corações para que nos proteja quanto vamos fazer a guerra ou dela retornamos!
Ó Palas Atena, de infinitos ardis, loira Atenéia , dê-nos a fortuna e a felicidade.

A importância de Saturno na mitologia grega

Antes de mais, Saturno não é apenas o pai de Júpiter, o deus destronado e acorrentado por este no Tártaro. Há referênciase em Hesíodo e de Píndaro que Saturno impera na "Ilha dos Bem Aventurados", sítio onde a alma dos justos "se vão da lei da Morte libertando".

Para Hesíodo, os homens e mulheres da "raça dos heróis" escaparam da negra Morte e foram viver, para sempre felizes, na "Ilha dos Bem Aventurados [...] e entre eles reina Saturno".

Ou seja, como Saturno marcou a "era de ouro" da humanidade, é natural que ele ainda vá regê-la para algum outro sítio.

No entanto, uma referência a este tema que acho interessante vem de Píndaro. Segundo este, um homem haveria de viver e morrer por três vezes, e ser justo, para adentrar nessa visão do paraíso helênico que é a Ilha dos Bem Aventurados, governada por Saturno.

Segundo ele:

"Para aqueles corações que viveram sucessivamente por três vezes sobre a Terra nutridora de homens, e por três vezes desceram à morada do Hades, sem praticarem a injustiça, o destino que Júpiter lhes reserva é um só: irão rapidamente ter ao reino de Saturno, na Ilha dos Bem-aventurados, onde o Zéfiro sobra, doce e refrescante, e a primavera é sem fim [...] Lá, onde Radamanto está sentado à direita do marido de Réia, poderosa deusa cujo trono domina o dos outros imortais".

Pois então Saturno não é apenas o deus primeiro, ele também é aquele vai receber os justos no "templo da suprema Eternidade".

Hino Órfico a Saturno

Santo pai dos homens e dos deuses que habitam o céus,
onipotente Titã, de engenhoso pensar e dono de força prodigiosa,
que em si contém todas as coisas e que em si as devora,
acorrentado por arcanos grilhões à vastidão silente do mundo.
Saturno, pai do Tempo; Saturno, pai da Eternidade,
Filho de Gaia e Urano, o céu, povoado de estrelas.
Fonte primeira, Titã indestrutível, potestade favorável,
onipresente sobre todo o orbe, seja propício a nossos desejos,
e dê a nós, mortais, um final feliz às nossas vidas.

Nota Introdutória

A razão de ser deste blog é uma só: diversão. Aqui estão essas traduções de pequenos hinos e orações da antiguidade. Algumas destas tem como base textos latinos; outras, traduções francesas e inglesas. Muitas vezes tomo algumas liberdades, devido a uma série de lacunas e divergências sobre os textos deste período. Por fim, dependendo do dia, traduzo utilizando ora os nomes latinos das divindades, ora os gregos. Afinal, se a origem das divindades é grega, minha língua deriva do latim, assim ao utilizar desta as denominações louvo meus priscos Penates.

Carpe diem :)