Ouvi-me, ó Numes graves, celebrados,
Tisífone, Alecto, e vós, Megera;
Vós, que no Orco, em grutas escondidas,
Habitais junto ao Estígio, lento e horrendo.
Severas contra o crime e o erro humano,
Do Fado executoras, ó Rainhas,
Que a vida extinguis com infausto brilho.
Sem vós não brilha o Sol, nem luz a Lua,
Nem siso, ou brio, ou flor da mocidade
Podem do peito afugentar as mágoas;
Pois da Justiça o olhar, que tudo alcança,
Vigia as hordas de terrestres seres.
Ó Parcas de mil formas, que entre as tranças
As ríspidas serpes enroscais,
Propícias sede, ó Numes, a este mortal.
Nota do tradutor
Pode-se estranhar a ausência de paternidade das Fúrias. Pois Taylor a declara na sua tradução:
Holy and pure, from Jove terrestrial [Zeus Khthonios] born and Proserpine Phersephone], whom lovely locks adorn.
Porém, essas linhas não existem no original em grego. Logo, na minha tradução estão ausentes.
Um lembrete: as Fúrias não punem o erro/pecado individual, mas também o hereditário, o míasma ( a mácula ou contaminação espiritual) que se transmite pelo sangue e infesta a linhagem (génos). A culpa é ancestral e há de ser expiada.
Pode-se estranhar chamar as Fúrias de "Parcas de mil formas". Mas isto está presente no original em grego:
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