quinta-feira, 28 de maio de 2026

Hino Órfico às Eumenides

Ouvi-me, ó Numes graves, celebrados, 
Tisífone, Alecto, e vós, Megera; 
Vós, que no Orco, em grutas escondidas, 
Habitais junto ao Estígio, lento e horrendo. 
Severas contra o crime e o erro humano, 
Do Fado executoras, ó Rainhas, 
Que a vida extinguis com infausto brilho.
Sem vós não brilha o Sol, nem luz a Lua, 
Nem siso, ou brio, ou flor da mocidade 
Podem do peito afugentar as mágoas; 
Pois da Justiça o olhar, que tudo alcança, 
Vigia as hordas de terrestres seres. 
Ó Parcas de mil formas, que entre as tranças 
As ríspidas serpes enroscais, 
Propícias sede, ó Numes, a este mortal. 


Nota do tradutor

Pode-se estranhar a ausência de paternidade das Fúrias. Pois Taylor a declara na sua tradução:
Holy and pure, from Jove terrestrial [Zeus Khthonios] born and Proserpine Phersephone], whom lovely locks adorn.

Porém, essas linhas não existem no original em grego. Logo, na minha tradução estão ausentes. 

Um lembrete: as Fúrias não punem o erro/pecado individual, mas também o hereditário, o míasma ( a mácula ou contaminação espiritual) que se transmite pelo sangue e infesta a linhagem (génos). A culpa é ancestral e há de ser expiada. 

Pode-se estranhar chamar as Fúrias de "Parcas de mil formas". Mas isto está presente no original em grego: ἀλλά, θεαὶ Μοῖραι, ὀφιοπλόκαμοι, πολύμορφοι. Como dou preferência às designações latinas dos numes, preferi Parcas para traduzir Μοῖραι. 



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